Era a Aldeia mais longe daquele Mundo, mais triste de felicidade, era a Aldeia mais distante da realidade.
Nas ruas não havia sons, movimento, nem havia encanto. As paredes das casas eram brancas demais, limpas demais e intocáveis demais.
Qualquer um se sentiria perdido na imensidão daquele tão pequeno mundo. Qualquer um quereria fugir daquela confusão silenciosa e inexistente. O silêncio que pairava sufocava aquelas paredes tristes de vida.
Só três viúvas habitavam aquele silêncio, apenas três mulheres despidas de cor e de luz suportavam o pesado ambiente da Aldeia do fim do mundo. Choravam noite e dia. A sua dor consumia aos poucos a já tão fraca luz de vida, que as pessoas habitualmente chamam de esperança. E foi quando, no mais profundo do meu íntimo contemplei aquele viver, que pude perceber o que é morrer sem realmente adormecer no sono eterno que nos persegue. O verdadeiro problema não é o de saber se viveremos depois da morte, mas o de sabermos se estamos vivos antes de morrer. Quando percebi isto, quis acordá-las daquele sonho quase inalcansável, marcado pelo tempo que não se apaga nem volta atrás, lembrá-las que ainda há uma vida a querer nascer. Mas era tarde, fui acordada deste maravilhoso sonho que, ali em poucos segundos, me abriu o Passado, o Presente e, sobretudo, mostrou-me que há um Futuro, ainda que efémero. Quis viver e nada mais.
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